quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

água com gás


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ontem, ele não teve aula pela manhã. na quase hora do almoço, ele foi almoçar no pequeno restaurante de sempre, perto do trabalho, mesmo não tendo ido trabalhar de manhã. a galega e a morena, ambas do banco do brasil estavam lá, o que não tem nem esperança nem significado.
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depois do almoço, ele retirou notas de papel moeda no banco e caminhou, atravessando pontes, até a casa de câmbio e comprar euros.
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a moça que atende na casa de câmbio é um espetáculo.
ele já se decepcionou várias vezes quando outros referiam uma moça como espetáculo (ou tal), e chegando lá, vendo lá, a moça em questão não era essas coisas todas.
é sempre um julgamento particular e depende do momento, de tudo e todos.
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a moça da casa de câmbio sempre está bem vestida.
usa anéis (dourados) (de ouro) nas duas mãos e na mão esquerda algo assim como uma aliança.
- você é casada? ele pergunta, apontando para a mão dela, através do vidro.
- sim. ela responde sem expressão aparente e sem complementos.
aqui, no brasil, somente a aliança não diz nada, as moças que atendem ao público, em bancos, em lojas, costumam usar aliança mesmo não sendo casadas para afastar os importunos.
visto que os brasileiros não têm limites sexuais, não têm limites no assédio.
então, as moças tentam se proteger assim.
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a moça da casa de câmbio, fernanda, é morena da pele de cor linda, como acobreada mesmo sem sol. tem uma bunda linda, maior que a da maioria, redonda, uma bunda como satélites que a puxam em direção ao centro da terra.
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o momento mais esperado da compra de euros, é esse, quando a moça diz que vai buscar o valor “lá em cima”, e se vira e descortina a bunda para ele.
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tem um rosto bonito e redondo.
tem dias em que está mais simpática, tem dias em que está mais calada.
tem dias em que sorri, tem dias em que não.
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ele compra euros e circula, sem querer, pelo centro da cidade, calor, músicas da pior qualidade misturadas com músicas de natal, uma guirlanda insuportável de ruídos para lembrar a todos que é natal e que não há tempo para pensar.
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uma mulher com quatro filhos caminha arrastando o batalhão, entrando em lojas, compras de natal.
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ele volta para a livraria que fica na margem do rio.
pega saramago para o amigo. pega alguns roth. sobe para o café. pede um expresso e uma água mineral com gás.
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ele lembra que não gostava de água mineral com gás e que passou a gostar e ele se interroga a si como isso aconteceu, porque? e se lembra que, um dia, uma bela mulher, depois da foda, andou nua até a geladeira e abriu uma garrafa de água com gás, colocou em dois copos e trouxe para ele que ainda estava na cama.
a água mineral com gás ficou gravada assim, uma memória permanente de uma bela e delicada mulher.
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então, um expresso e uma água com gás.
ele lê trechos dos livros que pegou. uma mulher se aproxima e é uma das mais (interessantes) que trabalham com ele no mesmo local.
não é jovem. uma mulher madura, indefinível entre os quarenta e os cinquenta anos. loira. a pele branquíssima. a pele do rosto muito muito lisa. ele tem vontade de perguntar o que ela faz para manter assim o rosto. tem peitos e bunda em boa quantidade. nunca conversaram muito, ele sempre a observa de longe.
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ele a convida para sentar. pedem dois expressos. a conversa gira em torno de livros. mas a moça tem compromissos. mas, ele pensa, que acaso bom, esse, desses que acontecem em livros. na vida real, os acasos são tão sem graça. nenhuma mulher agradável surge e se senta conosco nas mesas dos cafés.
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a moça, cristiana, diz que começou e não conseguiu continuar a leitura do (ensaio sobre a cegueira). a moça coloca papel e moedas para pagar o seu café e vai.
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ele pede mais uma água com gás.
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dois adultos-adolescentes conversam na mesa ao lado, um deles diz que o (ensaio sobre a cegueira), o livro, novamente, está muito caro, e diz: um livro nacional!, o outro adverte que não é um livro (nacional), é português, (tá ligado)?
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um livro de rubem fonseca também o interessa. esse livro tem um certa marca, também. talvez você pense que ele não tem a mínima profundidade, e é verdade, somente mulheres e sexo lhe interessam. o livro de rubem fonseca, ele e uma amiga que veio se despedir – ia embora do país por alguns anos – ele e ela pegaram o livro, folhearam, ela pensou em levar esse livro mas acabou por deixá-lo.
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ele deixa reservados todos esses livros, não quer carregar um pacote tão grande agora.
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vai para a aula, no trabalho, o curso fora de órbita que algum chefe inventou que os empregados precisavam. a perda de tempo. o tempo sem escrever. o tempo sem desenhar. a vida escorrendo.
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depois de uma hora de aula, foge quase desesperado. motocicleta. vai para o atelier.
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outros já estão por lá. o aparelho de som toca alguma música brasileira. ele limpa as duas telas que foram terminadas ontem com um pincel largo, quase uma mão, e macio, de cerdas louras – o cabelo de muitas louras.
ele estende na parede as telas, acabadas, uma em que predominam os vermelhos e pretos, uma em que predominam os brancos e amarelos. as duas juntas se combinam, fica tudo (muito bem)...
fotografa as telas, essas e outras. leva essas e outras para o estoque, onde ficam deitadas e cobertas por plásticos, uma a uma.
um passarinho doido e bem pequeno faz, está fazendo, um ninho em torno de uma das lâmpadas do estoque.
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lá embaixo, no chão da área externa do atelier, onde ele trabalha, estende o tecido para mais duas telas e começa o (jogo) de lançar camadas e camadas de tinta.
marcar as telas, deixar o tempo atuar. deixar marcas de objetos, madeiras.
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nos intervalos entre uma e outra camada, para secar, ele encontra um livro solto pelo atelier e deitado no chão sob o céu azul sem nuvens, lê (o anticristo), nietzsche. não é para ser pernóstico...
pernóstico = presumido, afetado, pretensioso, pedante...
não é para ser pernóstico, amostrado, mas era esse mesmo o livro que estava perdido por lá, esse que ele pegou, havia chão e havia céu, o chão estava na sombra, ele deitou, sem travesseiro ou pedra, e leu trechos do livro contra o céu azul.
o chão doeu, ele continuou a ler na cadeira.
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saiu do atelier e foi para casa. bolachas e suco de caju. deitar, descansar. vestiu a roupa própria de pedalar e foi para o ponto de encontro de saída da pedalada, na frente do restaurante na margem do rio.
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pedalada, conversas. parada breve no meio da pedalada no bairro antigo da cidade. as ruas e muitas praças e muitos prédios públicos iluminados para natal e ano novo. até bonita a cidade feia.
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no final da pedalada, ele e outros comem algo no restaurante da margem do rio, na cabeceira da ponte.
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casa, banho, dormir.
antes de deitar, helena pede que ele coloque para tocar as músicas da trilha sonora daquele filme, (the lake house).
deitar, dormir. dorme.
muito mais tarde, helena se deita a seu lado, pega no pau dele, murcho, e faz com que o pau fique duro, mesmo com sono. sexo. lavam-se. antes de voltar para a cama, pegam taças e tomam água com gás.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

heart attack


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estava pensando em me matar, mas de forma organizada,
sem sujar nada, por exemplo em me matar no cemitério
pois já estaria no local adequado, sem dar trabalho a ninguém,
e além do mais daria uma boa piada:
alguém iria encontrar o corpo e avisaria na administração
do cemitério: "encontrei uma pessoa morta aqui"...
os caras da administração iriam morrer (!) de rir.
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fiz esse desenho virtual, ou seja no paint, no computador,
nos intervalos de trabalhos chatésimos....
ataque do coração...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

organic visceral vísceras orgânico


orgânico, vísceras, avulso, desenho em canto de pedaço
de papel, descuidado, depois fotocópia para transformar
em preto e branco.

sábado, 26 de janeiro de 2008

corpo pernas body legs


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quando ela dormia sobre roupas, lavadas, passadas e dobradas,
quando ela dormia, suas pernas.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

colorido


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alguns desenhozicos que estavam aqui em casa,
esse na vertical, quatro desenhos sobre vinho, vinho na taça,
na garrafa e nas cabeças, esse daí foi embora, de presente
para um grande amigo...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

desenho de hoje


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Não foi um desenho feito hoje, foi feito dias atrás, caneta
nanquim sobre o verso de um cartão postal de propaganda,
10 x 15 cm.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Carmenère


Quando Duílio Ferronato mostrou uma receita e sobre o
vinho que acompanhou a comida, falou que
"aqui em casa estamos na onda da uva carmenère chilena",
eu que sei nada ou quase nada de vinho, fiquei logo
querendo experimentar pois dessa uva eu não havia
comprado nenhum vinho ainda,
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desculpe a minha inguinorança.
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Também gostei desse negócio de "na onda" pois aqui
em casa também ficamos algum tempo na onda
de um determinado vinho ou tipo de.
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Então, na padaria-delicatessen-loja de conveniência
perto daqui de casa
(essa coisa mista em que a padaria se transformou),
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então vi um vinho dessa uva e como, me parece,
Santa Carolina é quase sempre um vinho bacana,
e porque não comprar, porque comprar, comprei-o-o,
e o preço estava adequado, coisa de 7 euros.
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Comprei esse Santa Carolina Reservado Carmenère
2005 e gostei bastante, tomamos no mesmo dia em
que comprei, realmente, uma uva de sabor diferente,
mais suave e pouca acidez,
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pena que não havia nenhuma receita especial para
acompanhar, ninguém aqui faz nada na cozinha,
apenas acompanhamos o vinho com queijo minas, pão
(como em Portugal, vinho com pão e mais nada)
e ainda, peito de peru defumado,
gostei mais com o queijo e com o pão, do que com
o peito de peru...
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Mais tarde, um café com chocolate.
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Pena que o efeito do vinho nao dure a vida toda,
pois eu sinto que vim (para o planeta Terra) com
um pequeno erro de ajuste, o botão um pouco virado
fora do lugar, ciclotímico,
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e uma garrafa de vinho compartilhada é suficiente
para rodar o botão para a posição certa e eu me torno
uma pessoa muito melhor, afável, simpática,
e o mundo todo se torna mais agradável...
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Por fim, é bom dizer que depois fui consultar o blog
Vinho para Todos e descobri que a tal uva carmenère
foi "varrida" da Europa por uma praga, século XIX,
e que o Chile é referência nos vinhos feitos com essa uva,
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e o blog Vinho Para Todos classifica com 4 tacinhas em um
máximo de 5, o Carmenère da Santa Carolina,
o que significa "muito bom".

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

chess hoje

Final de uma partida que ganhei, raro ganhar,
pretas abandonam
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desenho hoje

algum sentido em alimentar um blog?
algum sentido em algo?
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desenho que fiz com caneta nanquim em cima do verso
de cartão postal de propaganda, é, é, é um cartão postal
de 10 x 15 cm que tem pra pegar gratuito em banheiros
de shoppings, em restaurantes, etc e tal.
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Gambiarra camera 3

Esse guidão aí da foto está mesmo enTOPIDO de coisa, inclusive
o GPS e, no lado direito você pode ver o parafuso para acoplar a
câmera fotográfica.
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Comecei a fazer uma gambi para colocar a câmera no guidão,
está quase pronta, faltam coisinhas, e depois claro testar.
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Não pretendo, OBOVIAmente, deixar a câmera sempre no guidão,
como o odômetro fica, mas colocá-la para quando for bater umas fotos
do grupo, e vez ou outra fazer umas filmagenzinhas.
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Gambiarra camera 2

A câmera montada em cima da estrutura da campainha,
será que funciona?
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racks em pvc

Pesquisando sobre diy - do it yourself - faça você mesmo,
encontrei várias fotos de racks (suportes, bicicletários)
feitos em pvc, muito criativos, práticos e baratos.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Uma favorita


Estou me preparando para a próxima cicloviagem, em fevereiro,
quando irei com um grande amigo, de Recife para Salvador,
o mais possível pelas praias, de acordo com a maré.
Por enquanto, ainda estou recordando a viagem anterior,
de João Pessoa para Natal.
Esta foto é uma das minhas favoritas!

domingo, 13 de janeiro de 2008

menina na Barra de Mamanguape

de bicicleta - João Pessoa a Natal

Nosso objetivo alcançado foi pedalar de João Pessoa (PB)
até Natal (RN) pelas praias aproveitando a maré baixa.

Total pedalado em 4 dias = 167 km

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Primeiro dia:
de Cabedelo (PB) até Baía da Traição (PB)
50 km

Praias que conhecemos no primeiro dia:
- Costinha
- Fagundes
- Gameleira
- Lucena
- travessia do Rio Miriri (a pé)
- Oiteiro
- Campina
- Barra do Mamanguape
- travessia da Barra (barco à vela)
- Coqueirinho
- Trincheira
- Baía da Traição

Seguimos para João Pessoa de carro, levando as bikes no suporte,
deixamos o carro na casa de um amigo na praia de Intermares
e seguimos para a lancha que faz a travessia do Rio Paraíba
de Cabedelo para a praia da Costinha.

Essa lancha é uma carroceria de ônibus colocada sobre um barco,
um verdadeiro barco-bus.

Seguimos pela praia pois a maré estava baixa, conforme
a tábua de marés que a gente havia copiado.
Essas primeiras praias são semelhantes às de Alagoas e Pernambuco,
tipo São José da Coroa Grande (PE).

Passamos a cidade de Lucena e conseguimos chegar ao
Rio Miriri com a maré baixa, e assim conseguimos fazer a travessia
do rio a pé. A correnteza é forte mesmo na maré baixa, e na alta a travessia
tem que ser feita de barco. Há um barquinho que faz a travessia,
subindo o rio cerca de 500 metros apenas.

A curiosidade nesse trecho foi que passamos por dois ciclistas
que estavam passeando pela praia. Quando passei pelo homem e
cumprimentei, ele acelerou e passou a conversar comigo,
e disse que fazia trilha etc e tal e estava ali pedalando com a filha.

Ficou com vontade de ir com a gente, ficou com vontade de viajar de
bici, etc.
Ele e a filha nos acompanharam até o rio miriri.

Depois da travessia, seguimos por praias quase desertas.
Paramos na praia da Campina para tomar um refrigerante,
comprar água mineral e comer biscoitos.

Novamente seguimos por praia deserta, até que chegamos
na pontinha da Barra do Mamanguape. Fomos fazendo a curva
da Barra e verificando a imensidão dessa baía.

Os barqueiros cobram caro por essa travessia, em torno de 10 reais
por pessoa, mas temos que levar em consideração que a distância
é muito grande e que eles nos levam à vela, mas voltam remando
pois o vento é contrário.

Encontramos o barqueiro Nino e seu barco, o Rodolfo, que nos levou
para o outro lado da Barra, para a praia de Coqueirinho.
A travessia dura mais de meia hora. Calculo que
seja uma distância de 4 km.

Depois da praia de Coqueirinho, onde há uma igrejinha na
beira-mar e uma procissão de barcos em dezembro,
a maré estava enchendo e foi ficando
cada vez mais difícil de pedalar. Passamos a empurrar as bicicletas.
Em alguns locais, subi a praia, muito inclinada, pela areia fofa,
quase como uma duna, para
ver se havia alguma estrada.
Havia uma estradinha mas era também de
areia fofa.

Vimos que na parte mais alta da praia, a areia fofa era coberta de vegetação
rasteira. Subimos e empurramos as bicicletas por ali, pois a vegetação, mesmo
rala, ajudava a não afundar as rodas. Havia muitos espinhos e cactus
mas não houve pneu furado.

Uns espinhos entraram na minha perna, na hora nem percebi,
depois de um tempo foi que vi e tirei, nos dias seguintes fez
um carocinho inchado no local, mangine.

Depois de bastante tempo empurrando, e encontrando algumas cruzes
de madeira colocadas no topo das praias, de frente pro mar, encontramos
alguns pescadores na praia que nos informaram que mais adiante havia
uma estrada de barro paralela ao mar.

Subimos no local indicado e encontramos a estrada, seguimos por ela,
encontramos uma estrada asfaltada e chegamos à Baía da Traição.

A primeira pousada que encontramos era boa, mas ainda fomos até o
centro da cidade para ver as outras opções. Por fim, voltamos para a
primeira pousada que era mesmo a melhor.

Pousada das Ocas, onde cada quarto é na forma circular de oca
de índio, pois há muitas reservas indígenas nessa região.
De cada quarto se vê o marzão.

Alugamos o quarto e já pedimos o almoço, lagosta ao molho de coco,
baratíssima aqui, a 30 reais.
Almoço, banho de mar, banho de piscina, lavagem e lubrificação das
bicicletas, passeio pela praia, um belo por do sol na baía.

De noite, jantamos na nossa pousada mesmo, a ceia, com café e leite
e macaxeira e carninha guisada e ovinhos, e repetimos.

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Segundo dia:
de Baía da Traição (PB) à Baía Formosa (RN)
42 km

Praias que conhecemos no segundo dia:
- Forte
- Giz Branco
- Cardosas
- Barra de Camaratuba
- Baleia
- Pavuna
- Barra do Guaju
- Sagi
- Cachoeira
- Barreirinha
- Farol
- Bacopari
- Baía Formosa

Depois do café da manhã e de muita conversa sobre bicicletas
e sobre as praias que iríamos encontrar com os donos da pousada,
descemos para a praia, maré baixando, e seguimos.

Apesar da maré baixa, essas praias da região apresentam uma areia
grossa, pesada, que parece agarrar o pneu das bicicletas.
É uma areia batida mas que não permite uma boa velocidade
e em muitos trechos o pneu afunda.

Chegamos à Barra de Camaratuba, um lugar belo, rio de águas
claras desembocando no mar. Há uma balsa, subindo o rio, mas
na maré baixa dá pra atravessar a pé.

Subindo o rio, há uma trilha que leva à Lagoa Encantada, mas como
a gente dependia da maré baixa, resolvemos deixar para visitar a
Lagoa em uma outra viagem.

Seguimos e no horizonte surgiram muitas turbinas eólicas. Como são
imensas, demorou muito até chegarmos perto delas. Ficam na divisa
entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, ao lado rio Guaju.

Chegamos ao rio Guaju, onde há uma pequena balsa para travessia
mas com a maré ainda baixa, conseguimos atravessar a pé.

Tomamos um banho de rio pra baixar o calor e
água de coco em umas barraquinhas na margem do rio.
Não há cidade perto, mas como o lugar é muito bonito com rio
e dunas e skibunda, os bugueiros trazem os turistas a partir
de Sagi e Baía Formosa.

Seguimos e perto da praia de Sagi já estava enchendo o mar
e ficando difícil de pedalar. Subimos para ver a estrada de barro
que conduz à Baía Formosa, mas essa estrada desvia-se para
muito longe do mar, então voltamos à praia. Daí em diante,
mais empurramos as bicis do que pedalamos.

Passamos pela entrada, sinalizada, da Mata Estrela e da Lagoa da
Coca-cola, de águas negras, mas não entramos, fica pra próxima,
pois já estava difícil chegar nesse dia. A maré encheu de vez, só havia
a faixa de areia fofa. Faltando cerca de 5k para a Baía Formosa, alugamos
um buggy para nos levar.

Em Baía Formosa, hotel, almoço, peixe!, banho de piscina, passeio
pela praia até a enseada. No fim da tarde, fui novamente até a praia,
que tem ondas enormes e violentas e entrei no mar.
Muito divertido, tentar resistir à violência das ondas e levar uns sarrabulhos.

Lavagem e lubrificação das bicis.

De noite, comemos no hotel, a ceia, café com leite, ovos, tapioca, etc etc.

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Terceiro dia:
de Baía Formosa (RN) até Tibau do Sul (RN)
32 km

Praias que conhecemos no terceiro dia:
- Barra de Cunhaú
- Sibaúma
- As Minas
- Moleque
- Amor
- Pipa
- Madeiro
- Cacimbinha
- Tibau do Sul

Esse foi o dia mais difícil pois além da areia grossa e pesada,
as praias desse trecho são separadas, muitas vezes, por falésias
terminadas em pontas rochosas, ou seja, na ponta da falésia
não há praia de areia, apenas as rochas, muitas rochas irregulares
dificílimas de passar com as bicicletas.

Depois do café da manhã, seguimos pela enseada da Baía Formosa,
que só dá para passar na maré baixa. É uma longa enseada em forma de
ferradura, cercada por falésias enormes.

Depois da enseada a praia fica reta e então chegamos até a Barra do
Cunhaú. Há duas balsas fazendo a travessia e o rio é largo, não
permite a travessia a pé. Tomamos a balsa, e no outro lado, compramos
água mineral e água de coco e conversamos com o pessoal sobre
as próximas praias.

Apesar da proximidade com a praia da Pipa, não há buggys na areia pois
os escolhos não permitem a passagem. Realmente, o maior trânsito de buggys
na areia da praia é no trecho entre a Baía Formosa e a Barra do Guaju.

Então, sempre entre um trecho de praia e outro, tínhamos que passar por cima
das rochas, empurrando ou carregando as bicicletas.

Na praia da Pipa, tomamos água de coco, compramos água mineral para
encher as caramanholas e seguimos.

Entre a Pipa e a praia do Madeiro, existe o maior trecho de rochas
contornando toda uma enorme falésia.
Esse trecho deve ter 1km de extensão, talvez mais, e é impassável
carregando bicicletas e bagagens. Nós passamos com muita dificuldade.

Foi uma loucura, pedras enormes, o peso das bikes, a altura e a possibilidade
da queda nas pedras, o cansaço. Acho que levamos quase uma hora para atravessar
esse trecho. Nessa travessia, com as pancadas e as vezes em que a gente
não conseguia segurar as bikes, o câmbio da bici de Eliane entortou um pouco,
e o câmbio da minha perdeu uns dois dentes.

Na praia do Madeiro, tomamos água de coco e refrigerantes. Esta praia é
cercada de falésias e de pontas rochosas nos dois lados.
Somente se chega a pé, ou descendo as falésias por longas escadas de
madeira. Há golfinhos que vêm nadar perto dos banhistas,
isso nós vimos acontecendo lá.
Seguimos, e ao final da praia do Madeiro, nova travessia de rochas,
embora menor que a anterior.

Depois do Madeiro, a praia de Cacimbinha foi tranquila, pedalável,
sem problemas. Enfim chegamos à ponta de areia que separa
o mar da Lagoa Guaraíra, em Tibau do Sul.

Esse talvez seja o local mais belo que encontramos em toda a
viagem. A Lagoa Guaraíra é enorme, de grande embocadura,
e se liga ao mar em um local de altas falésias.

Subimos a partir da praia e encontramos um hotel que fica
exatamente em cima da falésia, com uma vista maravilhosa
da região.

Alugamos um chalé. banho de piscina, almoço na beira da piscina,
passeamos pela falésia, terreno do hotel, e mais tarde fomos
ver o por do sol na Lagoa Guaraíra, de cima da falésia.

Essa lagoa é sensacional e crusive há passeios de caiaque
de dia inteiro por ela.

Lavagem e lubrificação das bicicletas, jantar, etc.

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Quarto dia
de Tibau do Sul (RN) até Natal (RN)
43 km

Praias que conhecemos no quarto dia:
- Guaraíra
- Barreta
- Camurupim
- Tabatinga
- Búzios
- Pirangi
- Pium
- Cotovelo
- Ponta Negra

Café da manhã, bagagens e saímos. Descemos a falésia e a balsa
estava saindo, esperaram a gente, entramos na última hora e atravessamos
a belíssima Lagoa Guaraíra.

Seguimos pela praia de Guaraíra, maré baixa, pedalável, reta,
areia grossa avermelhada. Chegamos à praia da Barreta.
Na verdade, Barreta e Camurupim são praias muito parecidas,
com um enorme recife em forma de laje, que separa, na maré
baixa, totalmente o mar da areia, e na maré alta forma piscinas.

Em alguns trechos, pedalamos por cima da laje dos arrecifes,
em outros, só havia pedra irregular e areia fofa, então subíamos
para uma estrada que segue paralela ao mar.

A praia de Tabatinga é cercada de falésias e as famigeradas
pontas rochosas, então seguimos pela estrada por cima da falésia
de onde se tem a visão total do todo pan-orama. Depois seguimos e
descemos a falésia pelo asfalto, onde cheguei a 71km/h mas acho
que foi doidice do odo. Talvez, o vento empurrando, o peso aumentado
pela bagagem... talvez, mas acho mais que foi erro do odo.

Descemos e chegamos à praia de Búzios, bela, mar azul, reta, com ondas
na medida certa. Tomamos água de coco e refris.

Seguimos e atravessamos a pé um riozinho na praia de Pirangi. Depois
das praias de Pium e Cotovelo, subimos para o asfalto e seguimos pela
Rota do Sol, passando pela Barreira do Inferno, até a Ponta Negra,
a primeira praia de Natal. Fizemos assim pois com a maré cheia não dá
para chegar até Ponta Negra pela praia.

Em Ponta Negra, alugamos quarto em um hotel, banho, fomos até
a beira-mar onde almoçamos um rodízio de camarão,
passeamos até o Morro do Careca, depois fomos na Localiza
onde alugamos um carro. Voltamos para o hotel e priu.
Lavagem e lubrificação das bicis.

No quinto dia, passeamos na praia de Ponta Negra, banho de mar,
etc, no hotel, desmontei as rodas e coloquei as bicis no carro,
bagagem, etc, e seguimos para JP. Lá passei as bicis para o
suporte do carro de Eliane, devolvemos o carro na Localiza
e voltamos para Recife, fim.

Enfim, mesmo com todo meu cuidado, médio, de lavar
e lubrificar as bicis todo dia, elas sofreram bastante
pois muita areia e muita maresia.

Hoje já coloquei a Supra para uma revisão geral,
desmontar tudo e remontar lubrificando
e aporveitando vou logo trocar o câmbio
por um melhor.

Quando essa voltar, a outra vai para a revisão.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Viagem de bicicleta


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Viagem de bicicleta
de Recife (PE) a Barra de Santo Antônio (AL).

Fotografias em:
http://www.flickr.com/photos/paulorafael/

Tempo = 4 dias
Distância = 230km

Ciclistas e bikes:

Paulo Mendes, 44 anos, Schwinn Moab
Eliane Mendes, 47 anos, Caloi Elite
Mateus Mendes, 20 anos, Caloi Supra

Eu, Paulo, já fiz diversas viagens de bicicleta,
porém Eliane, minha esposa, e Mateus, meu filho,
nunca haviam feito uma viagem de vários dias.

Eles já haviam feito trilhas e passeios de curta
duração. Esta viagem seria a primeira experiência
deles no cicloturismo de verdade.

Programamos viajar durante quatro ou cinco dias,
e nào estabelecemos um objetivo específico, pois
devido à falta de experiência de Eliane e Mateus,
resolvemos que onde a gente chegasse já estaria bom.
O objetivo era apenas viajar pelas praias de Pernambuco
e Alagoas, evitando sempre que possível as rodovias,
e pedalando na areia da praia, de acordo com a maré
baixa.

A bagagem foi estritamente controlada para levarmos
o mínimo necessário. Como Eliane era a mais inexperiente
em viagens, colocamos bagageiros apenas nas bikes de
Mateus e Paulo. Os bagageiros foram os mais simples
encontrados, a preços em torno de 10 reais.

Na bike de Mateus, apenas uma mochila no bagageiro.
Na bike de Paulo, uma mochila no bagageiro e uma bolsa
de guidão. Nesta bolsa, mais fácil de acessar, três
câmaras de ar, ferramentas, protetor solar, bomba.

Os ciclistas não levavam nenhum peso em si, apenas
a câmera fotográfica no bolso de trás da camisa.

As bicicletas dispunham, no total, de cinco caramanholas
e foi suficiente, nunca ficamos sem água.
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Primeiro dia - 26/12/2007
de Recife a Porto de Galinhas - 66km

Saímos cedo do nosso apartamento no bairro da Tamarineira
em Recife, por volta das 5 e meia da manhã, para evitar
o trânsito pesado da cidade.

Pedalamos cerca de 27km por dentro do Recife até chegarmos
no limite sul da cidade, o Rio Jaboatão.

Lá, esperamos cerca de 15 minutos até que aparecesse um
barqueiro para nos levar até o outro lado do rio,
onde fica a praia do Paiva, já no município de
Cabo de Santo Agostinho.

A praia do Paiva é praticamente deserta, embora haja o projeto
de se construir uma ponte e um condomínio.

A maré estava baixando e conseguimos pedalar pela
areia da praia, embora com alguns trechos muito
fofos em que empurramos.

Chegamos à praia de Itapuama, e uma certa chuva de
verão começou a cair e a nos perseguir.
Compramos água e biscoitos e refrigerantes em uma
lanchonete.

Seguimos pela estrada de barro que vai de Itapuama
até a rodovia, para depois seguir uma estrada asfaltada
que leva ao porto de Suape.
A estrada tem acostamento, mas também tem muito movimento
de caminhões, embora seja um trecho relativamente curto.
A chuva nos acompanhava, caindo de quando em vez.

No final da estrada de Suape, seguimos pela
estrada de barro que vai, por entre canaviais, para a
Usina Salgado.

Pegamos um desvio e fizemos de jangadinha a travessia
de um riacho, encurtando o caminho.
Seguimos entre os canaviais e passamos na frente
da Usina Salgado.
A estrada de barro passou a ser de paralelepípedos.

Chegamos à bifurcação na vila de Nossa Senhora do Ó.
Seguimos pela estrada asfaltada que vai para Porto de
Galinhas, onde procuramos uma pousada e nos hospedamos.

Lavamos e lubrificamos as bikes, depois banho e almoçamos
uma peixada no centro de Porto de Galinhas.

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Segundo dia - 27/12/2007
de Porto de Galinhas à praia de Tamandaré - 45km

Depois do café da manhã, saímos de Porto e seguimos
pela estrada de barro que leva até a praia de Serrambi.
Em Serrambi, descemos para a praia, mas a maré ainda não
permitia pedalar pela areia.
Voltamos para a estrada de barro que leva até a praia de Toquinho.

Ainda bem antes de Toquinho, entramos por uma propriedade particular
para ver se já dava pra pedalar na praia, e então seguimos pela
areia até o Rio Serinhaém.

Lá, um pescador nos indicou onde é que passava o barco que faz
continuamente a travessia de Toquinho até Barra de Serinhaém,
do outro lado do rio.

Atravessamos no barco-bus e seguimos por dentro da cidade até
a praia, mas a areia ali era muito fofa e não dava pra pedalar.
Como estava perto de meio-dia, almoçamos em um bar simplesinho
na beira-mar, peixe naturalmente.

Depois do almoço, bom e barato, saímos da praia e seguimos pela
estrada asfaltada, sem movimento nenhum de veículos, até o Rio
Formoso, onde há barcos para travessia. Esta foi a travessia mais
cara da viagem, pois geralmente nas travessias de rios se cobra
de 1 a 2 reais por pessoa. Mas ali, como há muitos turistas,
a travessia é caríssima. Depois de muito negociar, conseguimos
o preço absurdo de 20 reais para transportar os três.

Do outro lado do Rio Formoso fica a praia de Carneiros.
Ali conseguimos pedalar pela areia, maré baixa e areia batida.

Seguimos pela areia da praia, atravessando a pé alguns
riachinhos, até a praia de Tamandaré.
Encontramos uma pousada, tomamos um bom banho de mar
e de piscina, lavamos e lubrificamos as bikes.

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Terceiro dia - 28/12/2007
de Tamandaré (PE) até a praia do Pontal, em Japaratinga (AL)
- 72km

Depois do café da manhã, seguimos por dentro da cidade de Tamandaré e
subimos pela rodovia asfaltada, passando pela Reserva
Ecológica de Saltinho, até chegar a rodovia PE-060.

Passamos a cidade de Barreiros (PE) e enfim voltamos às
praias na cidade de São José da Coroa Grande (PE).
Em São José, seguimos pela areia da praia pois a maré
já permitia.
Passamos para o estado de Alagoas e pelas praias
de Peroba e Barra Grande, atravessando de vez em quando
pequenos riachos com água no joelho, no máximo,
até que chegamos na praia de Maragogi.

Em Maragogi, paramos para almoçar lagosta e arroz de polvo
em um restaurante à beira-mar.

Depois do almoço, continuamos pela praia até Japaratinga (AL),
e seguimos pelas praias de Bitingui, Barreiras do Boqueirão,
até chegar na praia do Pontal, onde nos hospedamos na casa de
uma amiga. Banho de mar e, como sempre, lavamos e lubrificamos
as bikes.

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Quarto dia - 29/12/2007
de Japaratinga (AL) até Barra de Santo Antônio (AL) - 47km

Saímos depois do café da manhã e fomos para a balsa
que a travessa o rio para a cidade de Porto de Pedras (AL).

Em Porto de Pedras, a maré ainda não permitia pedalar pela
areia, então seguimos pela estrada asfaltada, com pouco movimento
de veículos.

Na localidade de Porto da Rua, descemos para a praia para ver
se a maré já baixara;
maré baixa e areia batida, seguimos pela praia por vários
quilômetros até a praia de Barra do Camaragibe.
Para atravessar o rio Camaragibe, um barquinho ao custo
tradicional de 1 real por pessoa.

Do outro lado do rio, seguimos por uma estradinha de areia
no meio do coqueiral até atingir a praia, completamente
deserta, maré baixa, praia larga, areia batida.

Seguimos até as falésias que são impressionantes, nessa
região. Depois das falésias fica a praia de Carro Quebrado,
pois como o nome indica é de difícil acesso para veículos.

Enfim chegamos na praia de Ilha da Croa (AL),
de onde atravessamos de balsa para a cidade de
Barra de Santo Antônio (AL).

Encerramos a viagem em Barra de Santo Antônio,
pois no dia seguinte a maré não permitiria seguir pela
praia de manhã e a rodovia estaria muito movimentada
devido a proximidade do final do ano.

Almoçamos um camarão ao molho de coco e
fomos ao encontro de um amigo que foi nos buscar,
em um posto de gasolina, conforme combinamos, colocamos
as três bikes no suporte do carro e seguimos
para Recife. Chegando em Recife à noite,
ainda lavamos e lubrificamos as bikes, para
evitar qualquer problema posterior.

Durante os 4 dias da viagem não tivemos nenhum momento
de insegurança ou violência ou assaltos, essas coisas que
as pessoas urbanas sempre perguntam quando um cicloturista
fala de suas viagens passadas e futuras.

O mais perigoso para qualquer ciclista ou cicloturista são
os motoristas apressados e impacientes, trancafiados em
suas latas volantes.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

xadrez pensando

fazendo testes com a câmera, pensando,
olhando o jogo de xadrez.
.